Diário ∃,14xistencial…

Existirmos, a que será que se destina?

Música Cajuína
Caetano Veloso [Álbum: Cinema transcendental (1979)]

Meu nome é Mayra (Clara). Nasci em 11 de junho de 1981. Em Cuité, que aqui chamarei Cidade das Estrelas.

Estou escrevendo este diário* desde que aprendi a escrever. Ao menos na minha cabeça, e em todas as coisas que eu pude (e puder) rabiscar. Muita informação. Ainda não achei a palavra que sintetiza o que é isso em mim. Se é sadio ou não. Na penúltima semana, antes do meu primeiro dia de aula, já me lembro dessa ideia, ela já estava lá… até todos os dias.

Onde estive, a vida se desdobrando como estivesse, estava eu nessas viagens. Ou elas em mim. Os íntimos mais perversos gostam de atribuir à demência. Os proativos à indolência. Desconhecidos, à inteligência. Eu digo que é uma espécie de espírito da matemática, o qual vivo de tentar acompanhar, e que aqui chamarei de Espírito da Justiça

Este post simboliza a primeira página
desta edição do meu “diário existencial”,
cujo propósito é registrar
o curioso fenômeno que percebo,
desde que venho acontecendo:
mesmo o que não é matemática,
presto atenção,
acaba sendo.

Era fixa a minha idéa, fixa como… Não me occorre nada que seja assaz fixo nesse mundo: talvez a lua, talvez as pyramides do Egypto, talvez a finada dieta germanica. Veja o leitor a comparação que melhor lhe quadrar, veja-a e não esteja dahi a torcer-me o nariz, só porque ainda não chegámos á parte narrativa destas memorias. Lá iremos. Creio que prefere a anedocta á reflexão, como os outros leitores, seus confrades, e acho que faz muito bem. Pois lá iremos. Todavia, importa dizer que este livro* é escripto com pachorra, com a pachorra de um homem já desaffrontado da brevidade do seculo, obra supinamente philosophica, de uma philosophia desegual, agora austera, logo brincalhona, cousa que não edifica nem destróe, não inflamma nem regéla, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado.

Machado de Assis. Trecho de Capítulo IV: A idéia fixa de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. (grifo nosso) 


Comenta aqui quais ideias mais despertam seus interesses e curiosidades na sua experiência de existir? Quais merecem as páginas mais importantes do seu diário existencial?

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