Listas de exercícios - MC² e-Diction - Selo Produtos notáveis

Projeto de Introdução à Computação | Cartilha “Vamos conversar?” | Studio

Registro autoral de uma atividade da disciplina Introdução à Ciência da Computação, no Bacharelado em Meteorologia da Universidade Federal de Campina Grande.

Nota de abertura. A cartilha customizada e o relatório correspondente foram os materiais acadêmicos entregues para avaliação. Este post não foi solicitado pelo professor e não integra as exigências formais da disciplina. Decidi produzi-lo para documentar o processo, tornar o resultado acessível e formular um pedido voluntário de orientação sobre os caminhos que o projeto abriu.

De uma atividade de Computação a um experimento editorial

O ponto de partida da atividade era elaborar uma solução computacional a partir da cartilha Vamos conversar? e explorar recursos de programação. A publicação aborda o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres por meio de narrativas, situações cotidianas, informações sobre direitos e indicações de serviços de atendimento.

Como já trabalho com livros, flipbooks e publicações digitais, comecei a pensar não apenas em um jogo isolado, mas em uma forma de acrescentar recursos interativos à leitura da cartilha. A pergunta que passou a orientar o trabalho foi:

Como utilizar recursos computacionais para ampliar as possibilidades de leitura e interação com um material educativo, sem descaracterizar a obra original e sem coletar indevidamente informações pessoais?

A atividade tornou-se, então, um experimento sobre Computação, editoração, leitura digital, documentação e responsabilidade no tratamento de um tema sensível. O resultado combina uma publicação em PDF, um flipbook no Heyzine, componentes Web em HTML, CSS e JavaScript, links para fontes oficiais, um post de documentação e um caderno complementar.

O produto final entregue

O produto final distribuído é um flipbook que reúne a cartilha original, a customização digital e uma documentação complementar de 21 páginas. A edição combinada possui 65 páginas: 44 páginas da publicação original e 21 páginas produzidas para registrar o projeto, seus fundamentos computacionais, seus limites, os recursos desenvolvidos e as possibilidades de evolução.

O flipbook é o produto final da atividade, mas continua sendo um protótipo acadêmico. “Final” indica a versão efetivamente entregue e distribuída; “protótipo” indica que a solução ainda pode receber revisões especializadas, melhorias de acessibilidade e novas etapas de desenvolvimento.

A cartilha permaneceu sendo a cartilha

Uma preocupação acompanhou todo o desenvolvimento: preservar integralmente a publicação original. A proposta não altera personagens, narrativas, ilustrações, créditos ou conclusões. Os recursos digitais funcionam como uma camada complementar, associada a pontos específicos da leitura e identificada como uma intervenção acadêmica posterior.

Essa delimitação é editorial, ética e jurídica. A expressão “versão digital customizada” não significa uma nova edição oficial da cartilha nem pressupõe endosso das instituições responsáveis pela obra original. Ela identifica um experimento realizado no contexto da disciplina, com autoria, objetivos e limites próprios.

A documentação complementar inserida ao final do flipbook torna essa separação visível. Ela explica o que pertence à obra original, o que foi acrescentado, o que está funcionando, o que permanece em avaliação e quais recursos ainda são apenas possibilidades de evolução.

Recursos implementados

A proposta foi desenvolvida por componentes, em vez de concentrar todas as funções em um único arquivo. No momento desta atualização, as páginas, os links e o questionário haviam sido testados pelo Codex e por outras pessoas e estavam funcionando.

  • Flipbook no Heyzine: reúne a cartilha, as áreas interativas, a documentação complementar e os controles de leitura.
  • Identificação da customização: informa que se trata de um protótipo acadêmico e preserva a distinção em relação à publicação original.
  • Síntese dos tipos de violência: retoma as cinco formas apresentadas pela Lei Maria da Penha — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
  • Questionário interativo: organiza as vinte perguntas das páginas 37 e 38 em quatro blocos de cinco itens, preservando as respostas somente durante a sessão no navegador.
  • Contagem e devolutiva informativa: indica quantos itens foram respondidos, agrupa temas relacionados e sugere páginas para releitura, sem produzir diagnóstico ou cálculo de risco.
  • Comandos de privacidade e controle: permitem limpar e embaralhar as perguntas ou ocultar rapidamente o conteúdo.
  • Fontes e caminhos de apoio: dão acesso à Lei Maria da Penha, ao Ligue 180, à rede de atendimento da Paraíba, ao ODS 5 e a outras fontes oficiais.
  • Mapa dos recursos digitais: ajuda a localizar os componentes e a distinguir o que foi implementado das possibilidades futuras.

Atenção. O questionário é um recurso educativo. Ele não produz diagnóstico, não estima risco, não substitui atendimento especializado e não armazena respostas. Em situação de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar pelo número 190. Para orientação, informação sobre direitos e registro de denúncias, está disponível a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180.

O que há de Computação no projeto

A experiência ajudou-me a perceber que Computação não aparece apenas quando se escreve um programa complexo. Ela aparece na maneira de formular e decompor um problema, definir responsabilidades, organizar dados, construir regras, controlar estados da interface, testar comportamentos e documentar decisões.

  1. Decomposição: o sistema foi dividido em PDF, flipbook, componentes Web, links, hospedagem, blog e documentação.
  2. Estrutura de dados: as perguntas e suas relações são organizadas em listas e objetos que podem ser exibidos, agrupados e reorganizados.
  3. Estruturas de controle: condições determinam a navegação, a devolutiva e o comportamento dos botões.
  4. Estado da interface: o navegador preserva temporariamente respostas, bloco atual e progresso, sem enviá-los a um servidor.
  5. Algoritmo de embaralhamento: a ordem das perguntas pode ser modificada quando a leitora decide reiniciar a atividade.
  6. Modularidade: cada componente pode ser corrigido ou substituído sem reconstruir toda a cartilha.
  7. Testes: foram verificados links, navegação, respostas, contagem, limpeza, ocultação, comportamento em tela e ausência de erros no console.
  8. Privacidade por concepção: a solução evita cadastro, banco de dados, transmissão de respostas e ferramentas analíticas dentro do questionário.

O agrupamento temático das respostas é uma proposta editorial e computacional para apoiar a releitura. Ele permanece sujeito a validação por profissionais com competência jurídica e psicossocial e não deve ser interpretado como classificação automática de uma experiência pessoal.

Como o projeto evoluiu

O trabalho não avançou como uma única revisão linear. Relatório, código Web, PDF, caderno complementar e arquivo de distribuição tiveram trajetórias próprias. A linha abaixo resume os principais marcos:

EtapaResultado principal
R00Concepção do problema e levantamento de possibilidades.
R01Primeira cartilha combinada, quiz local, checklist de dez situações, QR Code e relatório inicial.
R02Definição do protótipo mínimo viável, mapa de recursos, escopo, plano de evolução e testes.
Web R02–R03Questionário completo de vinte perguntas, componentes auxiliares, fontes oficiais, rede da Paraíba e identificação editorial da versão.
R03 editorialRetirada de promessas ainda não implementadas e aproximação entre documentação e produto real.
R04–R04.4Caderno complementar, correções para o Heyzine e edição integral em A5 com 65 páginas.

Essa trajetória também revelou um problema de organização: a mesma numeração foi utilizada em artefatos diferentes. Para os próximos projetos, pretendo nomear cada versão de acordo com sua função — por exemplo, relatório, questionário, edição A5 ou arquivo de distribuição —, e não apenas pelo número geral da revisão.

O processo foi tão importante quanto o resultado

O protótipo não se tornou tudo o que imaginei no início. Algumas funcionalidades foram simplificadas; outras permaneceram como possibilidades futuras. A ambientação sonora, por exemplo, não foi implementada. Também decidi não incluir recursos apenas porque eram tecnicamente possíveis: cada camada precisa ter função pedagógica, condições de manutenção e limites éticos claros.

Ao mesmo tempo, o processo produziu um resultado mais consistente do que uma demonstração isolada. Precisei delimitar o problema, reduzir o escopo, separar componentes, revisar promessas, registrar testes, identificar riscos, preservar o material original e tornar visível a diferença entre o que foi realizado e o que ainda depende de validação.

Aprendi também que a documentação não deve ser um apêndice produzido apenas no final. Em projetos digitais, ela faz parte do próprio sistema: permite localizar arquivos, compreender decisões, atualizar recursos, comparar versões e reconhecer responsabilidades.

Um caderno digital de estudos para Meteorologia

A experiência já está sendo reaplicada no desenho de outro trabalho: uma proposta de caderno digital de estudos de Cálculo, Vetores e Física voltado ao curso de Meteorologia. A intenção é aproximar conteúdos básicos do universo de raciocínio meteorológico desde o início da graduação.

Questões e explicações poderão receber recursos opcionais, como dicas intermediárias, representações gráficas, simulações, relações com fenômenos atmosféricos, diferentes estratégias de resolução e versões narradas. Esses recursos não substituirão o estudo tradicional. Funcionarão como apoios que o estudante poderá acionar conforme sua necessidade.

Publicações concebidas desde a origem como sistemas

A cartilha foi adaptada depois de pronta. Em trabalhos futuros, pretendo investigar publicações concebidas desde o início como livros-jogo, livros-laboratório ou cadernos interativos, articulando texto, imagens, simulações, áudio, acessibilidade, documentação e atualização.

Essa perspectiva dialoga com estudos que venho desenvolvendo sobre Matemática Narrável, materiais matemáticos acessíveis, a AME — Analogic Mathematical Encyclopædia —, o Scanner do Tempo e sistemas editoriais da MC² Edições. A cartilha é um experimento preliminar: oferece indícios e aprendizagens, mas não define nem valida sozinha a arquitetura futura desses projetos.

Uma trajetória anterior de experimentação

Este trabalho não surgiu isoladamente. Em projetos editoriais sobre a história de Cuité, já vinha utilizando o Heyzine para apresentar fotografias, documentos e materiais complementares que não cabiam na edição impressa. Uma das primeiras experiências foi o e-Folhetim relacionado ao livro sobre a história da encenação da Paixão de Cristo em Cuité. A referência imaginativa era simples: como fazer uma página impressa parecer guardar imagens em movimento como o jornal que aparece no filme "De volta para o futuro"?

Edição para divulgação da proposta do livro "Encenações da Paixão de Cristo de Cuité-PB: arte, fé e turismo religioso". A proposta era mostrar o acervo que estava sendo organizado sobre a encenação da Paixão de Cristo em Cuité pela autora da proposta, a historiadora cuiteense, Graça Araújo.

Esses projetos também guardam uma dimensão pessoal. Em registros relacionados à história do teatro local aparece minha bisavó paterna, Francisca Emília da Fonseca Santos, conhecida como Dona Chicota. Sua memória e sua relação com a vida cultural de Cuité serão desenvolvidas em textos próprios deste diário e em outros projetos de memória. Aqui, ela aparece como parte da trajetória que me levou a pensar livros não apenas como objetos fechados, mas como pontos de encontro entre documentos, pessoas, lembranças e novas camadas de leitura.

Créditos e limites

  • Autoria da proposta, customização, documentação e post: Mayra Clara Albuquerque Venâncio dos Santos.
  • Contexto acadêmico: disciplina Introdução à Ciência da Computação, Bacharelado em Meteorologia, UFCG.
  • Professor da disciplina: Marcelo A. de Barros.
  • Publicação original: Vamos conversar? Cartilha de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres, primeira edição, 2016. O conteúdo original, suas ilustrações, sua autoria e seus direitos permanecem preservados.
  • Ferramentas principais: Heyzine, WordPress, HTML, CSS, JavaScript, Canva e ShareX.
  • Apoio computacional e documental: Codex e ChatGPT, utilizados sob revisão, seleção e decisão autoral.
  • Natureza da publicação: registro autoral de processo e protótipo acadêmico; não constitui edição oficial da cartilha, diagnóstico, serviço de atendimento ou validação institucional da UFCG, das instituições responsáveis pela obra original ou da MC² Edições.

Referências principais

A documentação complementar integrada ao flipbook contém a lista completa de referências. Entre as fontes centrais deste registro estão:

  • BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 — Lei Maria da Penha.
  • BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
  • BRASIL. Ministério das Mulheres. Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180.
  • NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL. Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 — Igualdade de gênero.
  • PARAÍBA. Governo do Estado. Serviços da Rede de Atenção às Mulheres em Situação de Violência.
  • WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. O estudo é apresentado como fonte histórica de 2015, e não como retrato estatístico atual.
  • Materiais didáticos disponibilizados na disciplina Introdução à Ciência da Computação.

Histórico desta página: esboço iniciado em julho de 2026; reorganização editorial produzida em 2 de agosto de 2026, após a consolidação do produto final no Heyzine e a revisão dos arquivos R00–R04.4.

[bio_info]

Deixe uma resposta